A MÁSCARA DO MEDO

O medo é um combustível poderoso para o autoritarismo. O medo da morte é a manifestação mais genuína da capacidade de ceder. Tanto que admiramos aqueles que, frente à foice afiada (não é curioso a morte segurar uma foice?), não titubeia, nem sucumbe.


Imaginar-se como alguém mau é um pavor para a maioria das pessoas. Não à toa todos nós viemos equipados com muitas ferramentas para justificar comportamentos injustificáveis aos olhos alheios. Essa falha primária no nosso “sistema” sempre foi fonte de manipulação, usada por toda sorte de canalhas que já habitaram este pálido ponto azul. Quem souber apertar os botões certos transformará qualquer ato em virtude ou infâmia.


A máscara se tornou, para parte da sociedade, a fusão do medo da morte com o horror da infâmia. Aquele pequeno disfarce acoplado ao rosto tornou-se sinal de virtude. Não importa se funciona ou não, se eu retiro quando sento à mesa do restaurante ou se a pandemia já está em seus estertores. Usar a máscara é usar uma bandeira que informa: eu me preocupo com o coletivo.


Quem se levanta e diz: “talvez tenha chegado o momento de tirarmos as máscaras” corre o risco de experimentar a nova modalidade de morte social, o cancelamento. Portanto a prioridade é estar atento e lutar para manter a liberdade que possuímos, pois, como disse David Hume, “é raro que a liberdade de qualquer tipo se perca toda de uma vez.” Eu acrescentaria: conquistar a liberdade perdida também é custoso e não se ganha toda de uma vez.


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Rafael Ary